
Paulo e Carlos são duas pessoas fictícias que poderiam ser nós mesmos, com trabalhos e posições sociais diferentes, possuem simultaneamente dois pontos em comum: excesso de trabalho e falta de tempo. Observemos suas rotinas:
Paulo, 40 anos, casado, dois filhos pequenos, morador em um bairro da periferia, empregado de uma empresa que fabrica tintas, acorda às 5 horas da manhã para tomar duas conduções para o seu trabalho. O período de trabalho é de 8 horas, mas, quase sempre faz duas horas extras. Não tem tempo de estudar, chega tarde em casa, seus filhos já estão dormindo e sua esposa só o espera para servir o jantar. Único lazer é o futebol no fim de semana.
Carlos, 40 anos, separado, dois filhos pequenos, morador em um bairro de classe média, empregado de uma empresa farmacêutica, está no cargo de Diretor de Vendas, acorda às 6 horas da manhã, dirige seu carro por uma hora pela Marginal para chegar ao trabalho. O período de trabalho sempre ultrapassa às 8 horas combinadas, saindo do local por volta das 20 ou 21 horas. Sua rotina inclui fechar negócios por telefone, estudar idiomas durante o trânsito, ler relatórios, atrasar-se para reuniões e, nunca tem tempo para ligar para os filhos. Lamentavelmente, o casamento terminou por não ter tempo para a família.
Perceba que ambos vivem para o trabalho, ou melhor, para fazer dinheiro ao seu empregador e, receber um contracheque para sobreviver e pagar as contas. A vida é isto mesmo? Será que a qualidade de vida se resume a esta rotina?
Analise a sua rotina, veja a sua situação atual, levantar cedo, correr ao trabalho, perder a hora, trabalhar demais, ou em algo que você não goste. Sair tarde do trabalho, chegar tarde na aula, perder aula. Por causa do sono, não acompanha o ritmo do estudo, mas insiste, e persiste. Chegar em casa tarde, jantar, cuidar de sua higiene e então deitar para dormir.
Neste mundo globalizado, estamos correndo atrás do lucro de alguns, sem nos preocupar com a nossa própria vida. Um sociólogo italiano, Domenico Di Masi, estudou o comportamento do homem no trabalho, e, propôs um método de trabalho simples e construtivo onde empregado e empregador ganham e são mais felizes.
A proposta é simples, basta uma redefinição nas divisões dos horários que abranja tempo para o trabalho, lazer e estudo, trazendo um crescimento financeiro, humano e interpessoal. O estudo traz o saber, a diversão traz a alegria, amigos e família trazem solidariedade e o trabalho traz meios para usufruir todos estes aspectos.
O ideal está em nós procurarmos trabalhar numa atividade mais aprazível, como mais identidade às nossas habilidades, logo, não saberíamos distinguir qual seria o momento de lazer, estudo e trabalho. Alguns de nós privilegiados já conseguimos associar o trabalho ao lazer, realizando rotinas prazerosas, porque fazem o que gostam, esse tipo de profissional existe em todas as áreas, normalmente soa facilmente identificáveis, médicos, advogados, professores, engenheiros, pedreiros, atores, artistas plásticos, consultores de motivação empresarial e outros que, enfim, acharam prazer em trabalhar, por gostam do que fazem. Acórdão dispostos a sair de casa e enfrentar a dura caminhada ao trabalho, porque tem ciência da importância de seu trabalho e acima de tudo, respeitam a sua vontade de realizar aquela função.
Convidamos a pensar sobre sua rotina, e incentivamos você a conceder ao seu corpo e à sua mente, a realizar, ainda que por poucos minutos do dia, uma atividade que lhe dê prazer, mesmo que no trabalho. Até breve!
(Mônica Rizzo Lopes, advogada atuante, consultora do Terceiro Setor, pós-graduada no curso de Direito Ambiental pelas Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU e André Luiz Verderramos da Silva, advogado atuante, pós-graduado no curso de Direito Ambiental pelas Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU).